Nova Tamoios
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ARTIGO: Uma nova rodovia ainda melhor

Ajustes no projeto da Nova Tamoios Contornos contemplam melhorias e reduzem tempo de percurso, além de trazer mais segurança e avanços ambientais

Quem chega a Caraguá pela Tamoios gasta 50 minutos para percorrer os 28 km que separam a Polícia Rodoviária e a Petrobrás. Embora todo esse trecho esteja em rodovias, a velocidade média mal supera os 30 km/h. Isso ocorre porque as cidades absorveram parte da Rio-Santos (SP-055), transformando a rodovia em avenida. Cruzamentos, retornos, paradas de ônibus, residências e comércios geram um grande conflito entre trânsito local e viagens rodoviárias.

Essa disputa não afeta apenas o tráfego, é problema sério de segurança. Os acidentes rodoviários nos trechos urbanos da Rio-Santos são bem mais frequentes que a média paulista. Atropelamentos e colisões estão mais de 4 vezes acima, enquanto a vitimização supera em 6 vezes a média. Anualmente, quase 300 pessoas sofrem algum tipo de lesão no trecho urbano de Caraguá.

Com a Nova Tamoios Contornos, o trânsito rodoviário será deslocado para uma via perimetral, reduzindo o tempo de percurso para 20 minutos. Com 33,7 km de extensão, a nova via vai facilitar muito a vida de quem mora ou acessa o Litoral Norte. Para quem segue da Tamoios para Ubatuba, o encontro com a atual Rio Santos será próximo a Massaguaçu, após Martin de Sá. Quem vai a São Sebastião, atingirá a velha via na altura do porto.

Os Contornos não terão cruzamentos em nível ou rotatórias. A larga faixa de domínio (80m) impede a ocupação lateral e favorece viagens de longas distâncias. Curvas abertas e rampas suaves trarão conforto e segurança, enquanto a fluidez do tráfego será garantida pelos mais de 19 Km em pista dupla e terceiras faixas.

Muitas dessas características foram definidas mais recentemente. O projeto original, de 2008, foi ajustado para contemplar melhorias e atender demandas da população local. Assim, a rodovia afastou-se de áreas urbanas, evitando que mais de 800 famílias fossem atingidas pelas obras e poupando gastos de R$ 115 milhões em desapropriação e reassentamento.

Para ficar mais próxima à serra, seus túneis e viadutos ficaram mais longos. Agora, a rodovia percorre mais túneis (20%) e pontes ou viadutos (17%). O desenho dos túneis foi revisto e todos serão duplicados, o que aumenta a segurança operacional e evita impactos em futuras ampliações.

Assim, a rodovia ficou mais retilínea e os tempos de percurso foram ainda mais reduzidos. A viagem entre Caraguá e São Sebastião ficou 2 minutos e meio mais rápida que aquela prevista no projeto original. A obra em implantação também conversa com o crescimento urbano. Em Caraguá, novos viadutos e dispositivos de acessos foram acrescentados para evitar conflitos com o plano diretor. Já em São Sebastião, a chegada da rodovia no trecho urbano foi completamente remodelada, com vias de acesso dedicadas e preparadas para a expansão do porto.

A rodovia contempla agora um moderno sistema de drenagem que protege cursos d’água do derramamento de cargas tóxicas. O aproveitamento de materiais, especialmente a rocha escavada nos túneis, trouxe mais eficiência e a sustentabilidade.

Em setembro de 2017, será liberado o trecho entre Martin de Sá e o novo trevo da Tamoios Serra. Três meses depois, a rodovia chega ao bairro do Jaraguá, em São Sebastião. Em agosto de 2018, a rodovia chega ao Porto. Considerando obras, desapropriações, reassentamento e compensações ambientais, o empreendimento recebeu investimento total de R$ 3,2 bilhões do Governo do Estado.

Laurence Casagrande Lourenço é presidente da DERSA